sexta-feira, 14 de março de 2025

O Legado de Paul B. Baltes à Psicologia do desenvolvimento

 O legado de B. Baltes à Psicologia do Desenvolvimento

 A aula do dia 13/03 foi especial pra mim 😊 haha! Foi meu aniversário e eu amei receber o carinho de todos da turma. Foi um dia bom! 



E nessa aula, falamos de cara aí. Paul B Baltes.

Ele foi um psicológo alemão, que se dedicou ao estudo do desenvolvimento ao longo da vida.

Na Psicologia, a velhice era vista como declínio intelectual, então os estudos de desenvolvimento humano focavam na fase da infância e adolescência. Mas , com o avanço da tecnologia, foi tendo um aumento da população idosa e os próprios teóricos que estudavam a infância foram envelhecendo e não se reconheciam dentro das crenças tidas como corretas sobre essa fase da vida. Isso impulsionou os estudos sobre a psicologia do envelhecimento.

Então, Baltes criou o modelo lifespan, um paradigma de desenvolvimento ao longo de toda a vida, que rompe  com a visão que antes tratava o envelhecimento como um processo restrito à ocorrência de declínios, de perdas e de incapacidades. Por meio dele, foi possível abordar o envelhecimento como um processo associado ao desenvolvimento humano é contínuo, multidimensional, desde o ventre até a morte. Esse desenvolvimento não é apenas ascendente, mas os declínio e perdas também fazem parte do desenvolvimento. É também contextualista, ou seja, o desenvolvimento não é apenas biológico mas depende do contexto social que a pessoa está inserida.

O desenvolvimento sofre influências normativas e não normativas. As influências normativas são mudanças previsíveis, de natureza biológica, graduadas por idade, que acontecem na maioria das vezes com as pessoas. Já as influências não normativas, não atingem todos os indivíduos, são fatos isolados, imprevisíveis. Pode ser de caráter biológico (como uma doença por exemplo) ou societal (um acidente ou um assalto por exemplo). Esses evento interrompe a sequencia e o ritmo do curso da vida esperado, geram condições de incerteza e desafio e impõem sobrecarga aos recursos pessoais ou sociais. 

Pensando nessas influências não normativas eu me lembrei de um acontecimento da minha família. Quando minha avó perdeu o filho, meu tio, que tinha 25 anos na época, de uma forma muito violenta. Ele foi assassinado a tiros quando estava voltando para casa.

Foi uma experiência chocante e terrível para todos da família, mas quando a gente pensa no ciclo da vida, nunca se pensa que uma mãe vai enterrar um filho, e essa experiência mudou para sempre o curso da vida da minha vó, que até hoje tem depressão, precisa de remédio para dormir, se isolou socialmente durante muitos anos.

Voltando ao assunto, Baltes propôs 3 princípios gerais a respeito da dinâmica biologia cultura nas trajetórias de desenvolvimento ao logo da vida:

1) A plasticidade biológica e a fidelidade genética declinam com a idade, porque a natureza privilegia o crescimento nas fases pré-reprodutiva e reprodutiva.

2) Para que o desenvolvimento se estenda até as idades avançadas, são necessários avanços cada vez mais expressivos na evolução cultural e na disponibilidade de recursos culturais.

3) É limitada a eficácia da cultura para promover desenvolvimento e reabilitação das perdas e do declínio associado à velhice: os mais velhos são menos responsivos aos recursos culturais, uma vez que sua plasticidade comportamental e sua resiliência biológica são menores.

Tendo em vista esses princípios e a teoria criada por Baltes, ele desenvolveu a teoria SOC (seleção, otimização e compensação) que é um modelo teórico que propõe estratégias para lidar com as mudanças e perdas ao lingo da vida. Os objetivos dessa teoria são descrever o desenvolvimento em geral e estabelecer como indivíduos podem, efetivamente, manejar as mudanças nas condições biológicas, psicológicas e sociais que se constituem, em oportunidades e em restrições para seus níveis e trajetórias de desenvolvimento.

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